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Atletismo em Leiria vive dificuldades inesperadas

Atletismo em Leiria vive dificuldades inesperadas
Estádio de Leiria na base do descalabro das contas da autarquia

Descalabro financeiro da autarquia leiriense pode hipotecar seriamente o atletismo naquela região. O simples acesso às instalações feitas para o atletismo já é cobrado aos atletas em treino e os custos não se deverão ficar por aí...



Problemas e mais problemas. A Câmara de Leiria, tida, há tempos não muito idos, como um modelo a seguir no apoio ao atletismo, está... de tanga! A expressão, utilizada há já alguns anos, por um primeiro-ministro português para descrever o descalabro financeiro nacional, pode também ser usada para o município leiriense no que concerne aos custos com a gestão dos equipamentos desportivos.

Numa fase de turbulência, agravada com a indefinição da continuidade da Leirisport – a empresa que gere o desporto na cidade do Lis – o panorama não é nada satisfatório, com os cortes aos apoios a fazerem-se sentir e, mais penoso, os custos da prática desportiva a agravarem-se sobremaneira para os praticantes.

A Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) também tinha na pista do Estádio Magalhães Pessoa – que está no nível I da hierarquia da IAAF – com uma espécie de lugar sagrado. E a cada época a pista de Leiria, que, recorde-se, em 2009 recebeu a edição inaugural do Campeonato da Europa de Nações, era palco de um dos principais eventos de pista, ou o Campeonato Nacional de clubes, ou os Campeonatos de Portugal. Desta vez, coincidência ou talvez não, a FPA não tem prevista qualquer prova para Leiria, a não ser as de pista coberta, mas essas são em Pombal (apesar de pertencer ao distrito de Leiria).

Ora, o principal clube de Leiria é a Juventude Vidigalense, um dos principais do panorama português e que sofre com a atual situação de indefinição. “A intenção da Câmara é cobrar 2500 euros no Centro Nacional de Lançamentos e 3000 euros por cada prova nacional. Isto não está ainda regulamentado, pelo que esperamos que não vá em frente”, admite Paulo Reis, o responsável técnico do clube. “Admito perfeitamente organizar o meeting de Leiria só para juvenis e juniores, porque, sendo competições destinadas a escalões que não sejam seniores, a Câmara nada pretende cobrar”, explicou.

Já esta época a Associação de Atletismo de Leiria (ADAL) organizou uma prova de lançamentos. “A Câmara informou a ADAL que teria de pagar 200 euros, uma vez que o torneio tinha sobretudo provas para os mais jovens”.

Quanto aos treinos, a utilização diária da pista do estádio passou a custar, para os atletas seniores, 2,91 euros e a do centro de lançamentos 3,5 euros que pode custar mais um euro caso o treino se realize… à noite! Ora, contas feitas, quem treine todos os dias pode ter de desembolsar cerca de 80 euros por mês. “É muito, de facto. A JV paga aos seniores que fazem parte da equipa, os outros ao pagam, ou então treinam no exterior”, refere. “O panorama que se vive agora é de uma indefinição muito grande. Sabemos que nada vai ficar como dantes, mas esperamos que o bom senso prevaleça. Mais vale ter o estádio com alguma actividade, do que tê-lo amorfo, pois os custos são quase os mesmos”.
 

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