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Orientação Foto com História(s) (14)

É desta "massa" que eles se fazem

Furadouro, 16 de Fevereiro de 2008. Na tarde morna de sábado, escutamos o chamamento da floresta e da Orientação. São dois quilómetros de percurso, por entre as agulhas do Inverno pelo chão e uma Primavera que se anuncia em flor de mimosas feita. Ter um mapa e um percurso permanente é um privilégio. Os momentos de partilha, de busca, de superação, são momentos de transmissão de conhecimentos, de preparação para a vida. Orientação, o desporto da família!

Premonitório

Momento alto do Portugal O' Meeting, a consagração de Thierry Gueorgiou e Simone Niggli como os grandes vencedores da prova portuguesa pode ser premonitória em relação às grandes competições internacionais que pontuam a temporada, lá mais para o verão. Talvez em Dalarna (Suécia), seja demasiado cedo para vermos Simone a bater a concorrência, mas o pico de forma vai aparecer em Lausanne, a meio de Julho, quando a "campeoníssima" jogar em casa todos os seus trunfos. Ao seu lado irá estar Thierry Gueorgiou como o grande favorito à revalidação dos títulos mundiais de Distância Média, Distância Longa e de Estafetas.

Reencontro

Muitos estarão lembrados. Estávamos no início de 2010 e, em Arraiolos, no decurso do I Meeting Internacional levado a cabo pelo GafanhOri, fiz uma foto daquelas que se faz "uma vez na vida". Uma senhora tentava orientar-se, de mapa e bússola na mão, com um bebé ao colo, num daqueles dispositivos a que ouvi chamar de "marsupio". Pois bem, sei agora que se chama Ceila - a mãe - e que Candela era aquela bebé pequenina que dormia no aconhego materno. E sei-o porque ontem dei de caras... com as duas. Bem, para ser mais preciso, dei de caras com três: Ceila, ainda e sempre uma intrépida orientista, Candela, já "grandinha", levada pela mão e a pequenina Jimena, a ocupar o lugar que foi de Candela até há bem pouco tempo. Digam lá se isto não é uma ternura! 

Um tempo só nosso

Não se pense que isto da Orientação foi “amor à primeira vista”. Nada disso. Depois de Nisa, em finais de Fevereiro de 2007, só voltei à floresta quase um ano mais tarde, na Tocha, por alturas do Troféu OriCantanhede. Há semelhança da iniciática presença, os mesmos ingredientes ali continuavam, para minha satisfação e fascínio. Entre eles, um dos que mais me emociona – ou será que devo dizer “que cada vez mais me emociona”? - é o da Orientação como “o desporto da família”. É disto que fala mais uma foto com história(s).

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Acidente de percurso

O Sprint Urbano de Nisa colocou um ponto final no primeiro dia de provas do Norte Alentejano O' Meeting 2007. Mas a par da emoção, da alegria e das muitas correrias por becos e ruelas, a noite escura e húmida escondia, na escorregadia calçada, alguns dos seus maiores riscos para os atletas. Que o diga Øystein Kvaal Østerbø, aqui a controlar o Finish depois dum “acidente de percurso”.

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Mediatizar é preciso

Numa altura em que tanto se fala de mediatização da modalidade, recordo aqui uma imagem recolhida no final da primeira etapa do Norte Alentejano O' Meeting 2007 e que encerra um duplo significado. Por um lado, evidencia o esforço feito pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, no sentido de poder contar com o italiano Francesco Isella como speaker oficial e que acabaria por se revelar uma enorme mais-valia neste evento. Mas também o facto de eu próprio ter convivido com o Francesco durante um fantástico fim-de-semana – fomos bem acolhidos e melhor tratados na casa da D. Gracinda e do Manel d'Aldeia, na Amieira do Tejo -, e de ele me ter indicado alguns aspectos fundamentais de como tratar a informação num evento de Orientação. A importância desse contacto perdura ainda hoje e contribuiu decisivamente para a minha forma de “ver” a Orientação.

O desporto da família

Em 2007, quando a descobri, a Orientação foi-me apresentada como o “desporto da floresta”. Floresta de pedras, em Póvoa e Meadas como em Muas, floresta de dunas, em Pataias como no Furadouro, floresta de montanha, em Vieira do Minho como em Manteigas, floresta de betão, em Leiria como em Lisboa. Foi assim que, tateando, aprendi os seus mistérios e segredos. Mas um dos segredos que mais aprendi a valorizar é o da Orientação como o “desporto da família”. Já estava tudo ali, em Arez, no primeiro dia do primeiro Norte Alentejano O' Meeting!

A espiral do Tempo

O pensamento antigo considerava o Tempo como sendo um ciclo circular. Ou seja, as coisas voltavam ao começo. Na espiral do Tempo, os dias repetem-se como ciclos, mas a noite de hoje não é exactamente a mesma de ontem. Paradoxalmente, os dias são sempre iguais e sempre diferentes. Sabemos que muitas coisas se repetem regularmente, mas sabemos igualmente que o tempo não pára, avança de forma incondicional. Bom, esqueçamos a Dinâmica do Universo e atentemos na foto, na expressão do atleta, na forma como tem um olho no mapa e outro no terreno. Era assim em Arez, nos finais de Fevereiro de 2007. É assim ainda hoje, numa qualquer floresta deste nosso pequeno mundo. Mas aquele menino de há cinco anos atrás, cresceu... porque o tempo não pára. Uma homenagem ao Rafael Miguel e um voto de sucesso. Que durante muitos anos, as imagens nos continuem a dar nota da beleza e da certeza da espiral do Tempo!

Primeiros passos

Paulo Fernandes (à direita, na foto) fizera a sua estreia na Orientação em 2006 e agora, no final da última etapa do Norte Alentejano O' Meeting 2007, nas Termas da Fadagosa (Nisa), conferia o seu percurso. Eram os primeiros passos dum atleta que, graças à sua simpatia, afabilidade, disponibilidade e persistência, soube conquistar um lugar importante no coração de todos os orientistas portugueses. Aqui fica, em jeito de homenagem, mais uma foto com história(s).

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