- Escrito por Joaquim Margarido
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Simone Niggli: "Os meus hobbies são a minha família"
ENTREVISTA >> Após um longo período de afastamento, Simone Niggli está de regresso às competições. A recente vitória no Portugal O' Meeting demonstra que a atleta está no melhor dos caminhos para recuperar o ceptro Mundial. Com os olhos postos no futuro, aqui ficam as declarações duma excelente atleta e que é, acima de tudo, uma excelente pessoa.
Existe a ideia instalada em muitas mentes de que a maternidade e a alta competição são coisas incompatíveis, mas a Simone é o exemplo acabado de que esta é uma ideia errada!...
Simone Niggli (S. N.) – É verdade. Não é fácil ser-se mãe e orientista de topo ao mesmo tempo. Há essa necessidade de organizar intensivamente os treinos e as provas e as crianças por vezes adoecem, por exemplo. É necessário ser-se muito flexível. Mas sinto este poder da Orientação no mais fundo de mim e tenho um enorme apoio do meu marido e dos meus pais. Sem essa ajuda, as coisas não poderiam funcionar. É um apoio muito, muito importante para mim.
Ou seja, é possível!?
S. N. – Sim, penso que sim. Há outros exemplos, como Vroni Konig-Salmi, que mostram que é realmente possível. Mas, sem dúvida, é necessário estar-se muito motivado, muito preparado para, numa ou noutra situação, escolher entre os treinos e os filhos.
Eles não vieram consigo?
S. N. – Não. É muito complicado meter três crianças num avião. Estão em casa com os meus pais e tenho a certeza que estão a passar um excelente tempo juntos. Mas penso neles a todo o instante e agora já só quero voltar para junto deles.
Quando treina, quando compete, consegue alhear-se deles?
S. N. – Sim , nessas circunstância consigo concentrar-me apenas no mapa. Penso que é igualmente importante, se queremos voltar aos lugares cimeiros do ranking mundial, mantermo-nos concentrados nos mapas enquanto treinamos e, depois do trabalho, então relaxarmos e pensarmos nas crianças.
Nessa caminhada de regresso ao topo, quão importante pode ter sido esta passagem por Portugal?
S. N. – Para mim foram dias muito importantes porque, depois dum longo e duro Inverno de treinos, não sabemos ainda o quão rápidos estamos, como é que está a nossa capacidade técnica. Nessa medida, tive uma excelente percepção do meu momento de forma, sobretudo do ponto de vista físico. Aí, estou realmente no melhor caminho e, tecnicamente, posso melhorar. É verdade que estamos apenas em Fevereiro e ainda faltam alguns meses para os Campeonatos do Mundo, mas também aqui pude ver que estou bem, o que me dá uma enorme motivação para os meses que vêm.
Levou de vencida o Portugal O' Meeting pela quarta vez, a terceira consecutiva. Que significado tem isso para si?
S. N. – Do ponto de vista psicológico foi um excelente começo, sobretudo porque voltei a ter a noção que posso ser a melhor. Devo continuar a trabalhar, cometi alguns alguns erros, mas sabia que no conjunto das provas era essencial ser-se regular e acabei por ser a melhor no somatório dos quatro dias.
As partidas do último dia foram no sistema de “chasing start”. Como é que lida com a pressão, não apenas aqui mas sobretudo nas grandes competições?
S. N. – Procuro concentrar-me na minha corrida, porque é a variável que eu consigo controlar. Claro que no Portugal O' Meeting partia com uma vantagem de quatro minutos e sabia, portanto, que poderia sair um pouco mais lenta e, gradualmente, ir entrando no mapa, entrando na corrida. Mas temos sempre aquela ideia na cabeça de que alguém pode apanhar-nos... Sim, é a parte mental da Orientação, tentar afastar estes pensamentos e concentrarmo-nos apenas no nosso próprio mapa.
A propósito das suas performances em Portugal, que avaliação faz?
S. N. – Estou muito contente com as minhas prestações, sobretudo porque tiveram lugar em provas muito exigentes e muito técnicas. Cometi alguns erros menores mas fico contente por não ter feito nenhum grande erro. Ou seja, sinto que tive sempre as provas controladas e isso é o mais importante.
Fale-me um pouquinho de si. Suponho que, com três crianças, os tempos livres quase não existam. Mas, enfim, gostaria de saber algo sobre aquilo que mais gosta de fazer?
S. N. – Os meus hobbies são a minha família. Gosto de estar com o meu marido e com os meus filhos, com os meus pais, com as minhas irmãs. São, realmente, uma parte muito importante da minha vida. Entretanto, quando há um bocadinho de tempo, gosto de ler um bom livro e de ir ao cinema. E também gosto de cozinhar!
A IOF parece muito preocupado com a comunicação social e não tanto com o apoio às Federações no sentido de recrutarem novos elementos para a Orientação. A nossa modalidade corre o risco de começar a envelhecer rapidamente?
S. N. – Percebo que se deva colocar algum esforço no sentido de atrair a atenção dos órgãos de comunicação social. Dum lado temos os media, do outro a juventude. A melhor forma de levar a Orientação aos mais jovens é entrar com projectos pelas escolas adentro. Na Suiça temos um projecto muito bom, designado por sCOOL, e nele os jovens aprendem Orientação nas suas escolas, desenvolvem conhecimentos nas áreas da própria escola e depois é muito mais fácil para eles irem até à floresta. Talvez alguns até venham a ser bons orientistas. Este é um projecto suportado sobretudo pela nossa Federação, mas também por alguns clubes.
Uma última questão: Vamos voltar a vê-la em Portugal no próximo ano?
S. N. – Penso que sim. É sempre um prazer imenso estar em Portugal. As provas são muito bem organizadas e os terrenos são excelentes. É realmente impressionante a variedade de terrenos que podemos encontrar aqui. Portanto, é realmente muito bom e seguramente voltarei.
Acompanhe Simone Niggli na sua página em http://www.simoneniggli.ch/
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