Esmoriz: A primeira corrida de Rodrigo

Rodrigo sofre de uma doença cerebral que o mantém refém de uma cadeira de rodas. Domingo, estreia-se nas corridas, em Esmoriz

Aos 9 anos de idade Rodrigo vai participar na sua primeira prova de atletismo. Será domingo, nos 10 km da Corrida Popular de Esmoriz, que dois atletas se voluntariaram para conduzirem a cadeira de rodas de uma criança especial e bem conhecida de muitos habitantes de Esmoriz, e não só, sobretudo graças à persistência e resiliência invulgares da sua avó, Fátima Almeida, que tem movido mundos e fundos para que o seu neto possa ter acesso aos tratamentos de fisioterapia que lhe possibilitem a melhoria da sua condição, já de si muito fragilizada por uma doença cerebral que lhe limita os movimentos e os pensamentos.

A iniciativa tem por fim sensibilizar a população para a luta diária que é travada por uma família muito especial, numa manifestação impressionante de amor que desafia todas as provabilidades: «Os médicos admiram-se com a evolução que o Rodrigo tem tido» - admite Fátima Almeida, avó a tempo inteiro, que se tem dedicado exclusivamente ao neto, recusando-se a desistir deste seu desígnio: «Os tratamentos do Rodrigo são caros e não são todos comparticipados pelo Estado pelo que sou obrigada a recorrer à solidariedade das pessoas que me compram os trabalhos manuais que vou fazendo. Também organizo eventos de solidariedade, sorteio de rifas, esse tipo de coisas e tudo para que o Rodrigo possa usufruir dos tratamentos, sobretudo os de fisioterapia, de que tanto precisa» - diz a avó, sorridente e orgulhosa pela evolução do seu neto: «É um longo caminho, bem sei, mas é um caminho de que não podemos desistir» - explica Fátima Almeida, que desabafa: «É triste quando vejo certas pessoas ainda duvidarem de tque udo isto que eu faço é pelo meu neto, mas para ser sincera o que me importa é mesmo o Rodrigo. Só quem passa por algo semelhante é que é capaz de dar o real valor e sou das pessoas que acredita que o amor tem muita força».

E é esse amor, indisfarçável, que mantém viva a esperança da avó de Rodrigo, a criança, agora com 9 anos de idade, mas que com apenas 13 dias de vida foi acometido por um AVC. As complicações que se seguiram levaram a que os médicos não tivessem dúvidas, na altura, que o melhor seria desligar as máquinas que o mantinham preso à vida por um fio. Mas houve alguém que disse não. A avó, Fátima Almeida, que ainda hoje não consegue explicar o que a levou a abraçar uma causa que a leva a lutar diariamente, com as dificuldades que se percebem.

Este sábado, na Junta de freguesia de Esmoriz, no decorrer do levantamento dos dorsais e no domingo no local de partida e chegada da Corrida Popular de Esmoriz, lá estará a Avó Coragem com os seus trabalhos manuais, cujas vendas revertem a favor "integralmente" - faz questão de frisar - para que Rodrigo possa continuar com os seus tratamentos. Domingo é a estreia de Rodrigo nas corridas e na sua terra natal.

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