Fonseca Antunes: uma história de persistência

A figura de Fonseca Antunes é associada ao professor de educação física e ao treinador que não faz do ecletismo uma palavra vã. Muito pelo contrário. Halterofilia, râguebi, remo, andebol, futebol, Fonseca Antunes passou por todos esses desportos, mas o atletismo é, de longe, a sua referência enquanto modalidade. E por isso conta a história marcante do dardo de bambu do avô que serve para ilustrar toda uma carreira de persistência...

Fonseca Antunes foi o eleito para o Prémio Prestígio do Distrito de Coimbra Atletas.net, um galardão atribuído por ocasião da São Silvestre Figueira da Foz e que distingue uma personalidade do distrito que se tenha destacado pela sua entrega à modalidade ao longo de toda uma carreira. Fonseca Antunes tem mais que provas dadas, num extenso palmarés e em que se destaca o ecletismo da sua carreira desportiva, com passagens pelo râguebi, andebol, futebol, remo e halterofilismo. Mas foi no atletismo que deu cartas, ao ter orientado inúmeros jovens com estatuto internacional, onde se incluem atletas do desporto adaptado, uma das vertentes mais acarinhadas por um homem que começou no atletismo de forma invulgar: A história remonta à primeira metade da década de 70 e conta-se assim: «Quando um dia o meu professor de educação física na altura, o saudoso Mário Maria, fez-me ver que não tinha nenhum jeito para o lançamento do dardo, fiquei deveras desiludido. Ganhei o salto em altura, o lançamento do peso, mas o dardo ficou-me atravessado. Na verdade os míseros 11,74 metros que lancei num exame prático que fiz, não me saem da memória. Fui o pior da turma» - recorda - «Valeu-me o meu avô, a quem contei o sucedido, aborrecido comigo mesmo por não ter conseguido melhor resultado. Ele tratou de escrever uma carta ao Professor Mário Maria, a quem pediu um dardo por um dia. Trouxe-o eu, atado com cordéis na bicicleta» - recorda: «O meu avô pesou o dardo, tirou medidas e meses mais tarde, por alturas do meu aniversário, ofereceu-me um dardo feito de bambu, com uma ponteira das de canas de pesca. - Agora treina – ordenou-me e assim fiz, na horta lá de casa e meses mais tarde sagrei-me campeão regional, para espanto de tudo e todos, com o dobro dos 11,74 metros do tal exame que me levou a treinar com o engenho e arte do meu avô. Por isso digo que sou um auto-didata». O moral desta história tornou-se o lema de vida do miúdo na altura e do homem se fez e que se formou em educação física. A persistência ainda é, para o professor Fonseca Antunes, uma qualidade intemporal. «Também lhe posso chamar teimosia» - diz o treinador e educador como gosta de ser recordado. «Acabo por ser ambas as coisas e para mim é um prazer perceber que entre os meus atuais colegas de profissão estão 13 dos meus antigos atletas. O desporto é e deve ser, acima de tudo, uma escola de vida» - defende. O desporto e o atletismo em particular, são e devem ser, uma escola de vida O sonho da pista na Figueira da Foz A grande luta de Fonseca Antunes é por muitos conhecida, nomeadamente pelos políticos, que sabem de cor a reivindicação de décadas do homem forte do SUOVAIS, clube do concelho da Figueira da Foz que fundou há 25 anos. A pista de tartan é tema recorrente nas conversas do professor, que tal como a história do dardo, faz-se valer pela persistência. E tudo aponta para que a concretização do sonho venha a ser, finalmente, uma realidade: «Estamos no bom caminho, sem dúvida, depois da Câmara Municipal ter tomasse posse do Estádio Municipal. Agora há que dar tempo ao tempo, mas esse sonho de termos uma pista de tartan na Figueira da Foz está mais perto do que nunca de ser uma realidade. É por isso que me tenho batido ao longo de muitos anos», reforça Fonseca Antunes, visivelmente satisfeito pela atribuição, por parte da organização da São Silvestre Figueira da Foz do Prémio Prestígio do Distrito de Coimbra: «É sinal que o meu trabalho e persistência são reconhecidos e isso só me pode deixar satisfeito, como é óbvio». Foto de Pedro Agostinho Cruz

Historial

António Fonseca Antunes, nasceu em Lourenço Marques (Moçambique), em 1960 e vive na Figueira da Foz, desde 1968. Licenciado em Educação Física pelo ISEF de Lisboa, iniciou a carreira desportiva muito jovem, na década de 70, com passagem por diferentes desportos, na estrutura escolar e federada. Em 1972, ganhou a primeira medalha, como Campeão Distrital de Voleibol, pelo Liceu Nacional da Figueira da Foz, no escalão de infantis, sendo na altura o capitão da equipa. Passou pelo Andebol, Futebol, Remo e Halterofilismo. Em 1974, iniciou a prática do Atletismo, como autodidata. Em 1975, fundou o Clube de Rugby da Figueira da Foz, sendo dirigente, treinador e praticante. Foi internacional, 4 vezes, por esta modalidade. Após o ano de 1977, dedicou-se exclusivamente, ao Atletismo e ao Halterofilismo. Na década de 80, representou o Benfica e o Sporting. Em 1987, iniciou um projeto num clube da cidade, como treinador, recheado com títulos e recordes nacionais. Em 1990, e porque o anterior se extinguiu, iniciou um novo projeto na SUOVAIS, clube onde se mantém, 25 anos volvidos, como treinador e atleta. Neste quarto de século, conquistaram-se 200 títulos nacionais, 13 diferentes atletas foram internacionais, 26 recordistas nacionais e medalhas internacionais, no setor veterano e desporto adaptado. Continuou a prática desportiva, como veterano, obtendo mais de 50 títulos nacionais e 3 internacionalizações.

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