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Última chamada para Chaiça

Última chamada para Chaiça
Chaiça nos Mundiais de 2003, onde foi 4º classificado

Aos 38 anos de idade o maratonista português tenta este fim-de-semana, em Hamburgo, carimbar o sonho olímpico. A derradeira oportunidade para terminar com chave de ouro uma carreira desportiva que passa, aos poucos, o testemunho à fisioterapia

Alberto Chaíça está desde o fim da tarde de hoje em Hamburgo onde no domingo tenta o mínimo A olímpico na maratona. O sonho de terminar a carreira nos Jogos Olímpicos domina o seu pensamento o melhor maratonista português da década, com vários lugares de topo alcançados em grandes campeonatos, mas com especial destaque para o oitavo lugar na maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Atletas.net: Está confiante num bom resultado?
Estou confiante. Vou correr para mínimo. Agora não sei se para o A se para o - B (risos)… Vou fazer o que sempre fiz. Vou dar o meu melhor. Dei o meu melhor nos treinos e seja o que Deus quiser.

Mas como é que compara a preparação para esta maratona com outras anteriores?
Obviamente que não posso dizer que treinei o mesmo que treinei para maratonas de outros campeonatos porque a capacidade de recuperação já não é a mesma, já não sou profissional de atletismo, tendo trocado o descanso pelo trabalho. Mas nunca baixei os braços. Coloquei como objetivo fazer o mínimo. Se calhar era um prémio para o meu final de carreira. Pelo que fiz pelo nosso pais na maratona era um bónus para mim. Mas não estou obcecado. Nada de stress.

Está a pensar em acabar a carreira?
Cada vez mais está mais díficil. Estou a caminho dos 39 anos. Temos de ser realistas com o panorama que temos pela frente. Não ando a sonhar… Sempre tive e continuo a ter os pés bem assentes no chão. Se não fizer os mínimos, não vai acabar o mundo, pois só eu e o meu treinador, que trabalhamos muito para isso, é que vamos sair a perder.

Como é que surgiu a paixão pela fisioterapia?
Sempre tive várias lesões. Sabia que havia atletas, incluindo alguns do país vizinho, que resolviam as suas lesões rapidamente e nós… não! Ficava um pouco pensativo a perguntar a mim mesmo como é que os outros conseguiuam e nós não. E eu, com a ajuda do Armando Jorge que me incentivou muito, fui tirar reabilitação para o Instituto Superior de Estudos de Barcelona.

Em que ano?
Foi em 2008 e 2009 no período em que estive lesionado no tendão de Aquiles.

E agora trabalha na área?
Sim, tenho um gabinete onde faço tudo, desde massagens a tratamentos de lesões. E já resolvi problemas a muitos atletas. Infelizmente com as lesões que tive aprendi com os erros cometidos… E, por isso, fazer um treino de vinte e tal quilómetros de manhã, atender seis a oito pessoas e depois voltar a treinar… não é nada fácil.

E já tem muitos clientes?
Sim, felizmente. Chegou a hora de fazer a minha transição. Continuo ligado ao desporto. Sigo alguns atletas paralimpicos, faço a sua recuperação, etc…
 

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